terça-feira, 15 de outubro de 2013

Professores... e filhos!

Hoje aqui no Brasil é o dia dedicado aos professores.
É feriado escolar, dia de homenagens, reconhecimento, reivindicações.
Particularmente, acho que é o melhor título que alguém pode receber: o de mestre! Ele é imprescindível!
Esta profissão, quando é assumida como missão, tem o poder de libertar, de levar à luz aquilo que está na escuridão. De fazer renascer a cada dia para o mundo novo que o conhecimento gera.
Nesse sentido, hoje minha homenagem vai para os meus três jovens sobrinhos, Bruna, Débora e Marcelo.
Sou testemunha da seriedade com que encaram a educação dos filhos. Vejo a verdade estampada em cada gesto de estímulo, carinho, e na firmeza dos limites.
Acima de tudo vejo coragem na luta contra o “tudo igual” e contra o “quanto mais melhor”. Nos pequenos gestos, vejo uma batalha travada a cada dia para a vitória do essencial: o amor, o respeito, a simplicidade, a convivência saudável.
Nesse sentido, peço licença às meninas (Bruna e Débora), para partilhar um gesto do Marcelo com a Maria Eduarda no último dia das crianças.
De repente uma nova proposta: sugeriu à filha que neste ano o presente
fosse diferente, ao invés de “presente brinquedo”, que ela escolhesse algo para fazerem juntos: um passeio de bicicleta, um jantar... e ela escolheu brincar de boliche com o pai e amigos.
Parabéns, Marcelo! Acho que o caminho é esse. 
Não é pelo dinheiro (apenas), pois talvez algumas horas de boliche sejam mais caras que um simples brinquedo. Mas o mérito está no gesto. 
Minha intenção não é iniciar uma campanha contra o brinquedo simplesmente, mas é estimular uma busca por alternativas que concorram com a mesmice (caríssima) ditada pelos meios de comunicação. Todos os pais podem dar um passeio com seus filhos, empinar uma pipa, preparar juntos um lanche, construir um brinquedo com restos de madeira ou outro material reciclável. 
Ao contrário de ser um retrocesso, esse caminho da volta às origens, ao essencial, à criatividade, ao simples, pode ser um estilo de vida: autêntico e cheio de sentido.

Feliz dia dos professores!

domingo, 14 de abril de 2013

Minha história com o café


Quem me conhece sabe que sou apreciador do café. Apreciador só não, sou cafezeiro, daqueles que não rejeitam um só convite para saboreá-lo. Acho que tem relação com meu costume de acordar bem cedo.
Hoje prefiro café caipira, de coador de pano ou filtro de papel, encorpado, quente (bem quente), e com pouco açúcar. Mas tomo também um bom caffè espresso, o americano, o carioquinha e todos os demais (rs).
Posso até tomar café sozinho, mas prefiro acompanhado por uma boa conversa. E meus dias sempre iniciam com café, na maioria das vezes acompanhado por minha mãe. Depois do café estou preparado para enfrentar qualquer missão.
Por algumas ocasiões tive que interromper esse prazer por conta do cuidado com os dentes, pois ele é um dos maiores responsáveis pela pigmentação e alteração da cor branca dos mesmos.
Acabei de passar por num período desses. No início e por alguns dias cheguei a sentir um pouco de dor de cabeça, mas depois o organismo foi se acostumando. Só suportei pela certeza de que iria novamente poder saboreá-lo.
Para além de tudo isso, o café para mim é sinônimo de encontro. A degustação começa na preparação, no manejo do pó, do coador... seguido pelo aroma que inebria. Sorver o primeiro gole então é inexplicável.
Pra mim não importa o lugar, se na casa dos meus vizinhos aqui da rua, na Galeria Vittorio Emanuele, em Milão, ou a Piazza San Marco, em Veneza. Se nas madrugadas da casa da Clara (e minha) em Asola, na companhia do Niccola antes de ir pro trabalho, na casa da minha amiga Sheyla em Medellin (Colômbia), que o prepara aromatizado com canela ou cravo, ou na casa da minha mãe nas incontáveis manhãs...
Tenho uma vizinha que de vez em quando me liga para convidar para o café quentinho que acabou de coar... e, é claro! Eu sempre aceito.
Sem falar na coleção de cafeteiras italianas, cada uma com uma história. Hoje, em homenagem ao dia do café, inauguro uma que promete um café cremoso. Trouxe no ano passado e resisti aguardando uma ocasião propícia.
Não posso nem imaginar como seria sem pelo menos o café preto das primeiras horas das manhãs. O vigor do sabor, o aroma, a conversa, o silêncio acompanhado. É quase um ritual que para mim deve ser cumprido diariamente.

Viva o café!!!


domingo, 31 de março de 2013

Feliz Páscoa!


Parábola da criança feliz


“O Reino de Deus é comparado a uma criança que saiu para brincar...
Enquanto brincava recebeu a promessa de uma aventura no balanço da árvore gigante de jatobá.
A criança continuou a brincar, mas seu coração batia cada vez mais forte ansiosa pelo cumprimento da promessa.
Chegada a hora integrou a pequena expedição passando pelo galinheiro, curral,  pedindo licença às vacas e bezerros que guardavam o balanço.
O coração não cabia no peito enquanto cada amiguinho experimentava a emoção do balanço.
Olhava admirada e já se imaginava voando...
Quando chegou sua hora parecia inacreditável. Se acomodou sem medo algum, preparada para saborear cada momento.
E quando tirou os pés de chão recebendo os primeiros impulsos, começou a voar, voar, voar... numa mistura de realidade e sonho.
E seu agitado coração de criança ardeu no peito de tanta alegria... ela não sabia, mas naqueles instantes experimentou um pouco da eternidade... do céu!
E a alegria foi tanta, que preencheu todos os espaços não sobrando lugar para medos e tristezas!
E o melhor de tudo foi que recebeu a promessa de balançar no pé de jatobá sempre que quiser.
A criança voltou para casa feliz, e toda noite antes de dormir fecha os olhos e se lembra da emoção de voar, voar, voar...!"

Através da alegria da Fernanda no balanço desejo a todos uma Feliz Páscoa!!!

terça-feira, 19 de março de 2013

Teatro del Silenzio


"Io la vedo questa terra, la sento premere sotto i miei piedi.
Questa è la mia terra.
Una terra che, come me, ama il silenzio.
E se con la mia voce rompo questo silenzio, lo faccio per rendere omaggio a questi luoghi e alla mia gente.
La musica penetra la terra, la percorre e vola lontanissima. 
E' un messaggio d'amore."

                                                       Andrea Bocelli




E se nós pudéssemos quebrar o silêncio para acrescentarmos um pouco de beleza, esperança, alegria e entusiasmo à vida????

Quebrar o silêncio pressupõe estar primeiro em silêncio, exterior (mais fácil) e interior (mais ousado).
Tomar gosto pelo silêncio é dar a si mesmo a possibilidade de mergulhar com profundidade no mar misterioso da vida.
Ele é a ponte que torna possível a travessia entre as coisas superficiais e aquelas que carregam um significado maior e que, por isso mesmo, nos faz descobrir o sentido da nossa existência.

Mas como esse não é nenhum tratado sobre o silêncio, vou direto ao ponto.
É apenas uma sugestão para quem for a Itália. Na Toscana, no caminho do mar da Ligúria, está Lajatico (pronuncia-se “laiático”). É a terra do autor da bela voz, Andrea Bocelli.
Demorei a encontrar no mapa, mas a insistência valeu a pena. Foi uma tarde maravilhosa de inverno, passeando pelo vilarejo e pelo magnífico Teatro do Silêncio.

Vale lembrar que os shows do Bocelli acontecem no verão europeu.
Já descobri que neste ano será no dia 13 de julho, e cantará músicas do novo álbum “Passione”.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Viajando com fones de ouvidos...

Outro dia passando por uma rua bem movimentada perto do meu trabalho, presenciei uma cena cujas imagens me acompanharam por dias. Uma recolhedora de recicláveis "pilotava" seu veículo (carroça) conduzido por si mesma, movido pelo combustível de seu esforço, no lado direito destinado aos veículos automotores, movidos por combustível fóssil ou renovável. Trajava roupa que a protegia dos raios ultravioletas, sem ter se descuidado do chapéu, com abas consideravelmente largas. Na hora pensei no risco que corria, pois estava transitando numa via destinada a carros, motos e caminhões. Qualquer motorista distraído podia provocar um acidente grave.
Mas o que mais me surpreendeu foi que aquela mulher usava fones de ouvidos. Isso mesmo, fone de ouvidos! Aqueles mesmos que usamos para ouvir músicas enquanto trabalhamos ou fazemos atividade física, ferramenta para distração ou motivação. Esse foi o motivo principal daquela mulher ter chamado a minha atenção. Pessoas assumindo pequenos riscos estou acostumado a encontrar nas ruas aos montes. Mas correr risco com tanta tranqüilidade (ou indiferença) me causou impacto mesmo depois de tê-la perdido de vista ao retrovisor. O que estaria passando pela sua cabeça? Para que lugar a canção a estaria levando? Estou quase certo de que se ela tinha alguma preocupação não era com a possibilidade de ser atropelada. Imagino que ela deve ter deixado em casa os motivos de sua árdua tarefa diária: família (filhos, companheiro, cachorro etc). Também imaginei que canção estaria ouvindo. Para onde estaria indo. Que já tinha um itinerário a cumprir e que se resignava ao trabalho digno, mas estafante, que lhe dá a condição de cidadã que não fica à espera da oportunidade, mas se levanta com criatividade e age.
Imaginei mais ainda, que como não ouvia ruídos dos motores e das buzinas, se orientava também pelos vultos e pelo vento quente das máquinas velozes e furiosas que a ultrapassavam. 
Queria seguir aquela mulher por algum tempo para invadir um pouco sua privacidade, e tentar descobrir algo mais de sua história. Mas certamente eu ainda não pertenço ao seu ritmo. Estou do lado de cá. Do lado das coisas óbvias, calculadas, aparentemente seguras. 
Despedi pedindo a Deus que a proteja, que seus "anjos da guarda" estejam sempre ao redor daquela guerreira anônima, como acreditamos estarem ao lado das crianças inocentes.



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Atiçando o paladar...

Observar a fruta no pé ou a verdura na horta é muito bom. Mas nem sempre ali na natureza elas duram o tempo que a gente gostaria. Por isso, é preciso disposição para aproveitar o máximo do que elas oferecem e por mais tempo.

Nos últimos dias fiz licor de jabuticaba, pepino em conserva, jurubeba curtida (só eu gosto), suco de maga verde com hortelã, e congelei acerola e manga.




A receita é da Gilda: jaboticabas limpas (mas sem lavar), açúcar e cachaça. 13 dias de repouso num recipiente de vidro fechado. Depois é só coar. É a segunda vez que faço e testemunho que dá certo. O sabor é ótimo, mas o aroma é impressionante




Esse pepininho em conserva também é muito bom. Vai bem com cervejinha gelada, ou pode ser usado no recheio de sanduíches.


A jurubeba é amarga. Muito amarga! Eu sempre como com carnes e comidas com tempero mais forte e nunca tenho problema com o fígado e estômago. Se alguém quiser, está à disposição. 

Também coloquei as mãos na massa, literalmente. Com a ajuda da Oneide que me ensinou uma receita de massa muito simples, fiz tortelli di zucca. Esse prato típico no Norte da Itália por ocasião das festas natalinas, especialmente na ceia de Natal, é um dos meus preferidos. Depois de cozido, basta derreter manteiga, sálvia fresca e queijo ralado. A combinação é perfeita.




Postei nos “aromas e sabores” a receita do arroz com linguiça na panela de pressão. Esse prato é um coringa. Satisfaz todo mundo (as crianças adoram!), e pode ser feito até para as visitas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

"Clara como a luz do sol..."


18 de dezembro de 1988.
Estação de Brescia, Lombardia, Itália.

No meio de uma recepção calorosa, numa noite muito fria de inverno, cruzei com a Clara pela primeira vez. Ali nasceu uma história de amor e amizade que amadureceu nesses 24 anos, fazendo com que nos transformássemos em família com tudo o que isso significa.
Atravessamos o Atlântico inúmeras vezes ao longo desses anos com a mesma ansiedade de sempre. Nestes encontros sempre fazemos o mesmo check list de coisas para cumprir. E é impressionante como tudo é saboreado como se fosse a primeira vez, desde um simples café da manhã no bar até o imperdível tortelli di zucca, que só de imaginar me dá água na boca... humm!!!!!!
Sua casa, na Via Montessouri, se transformou na minha casa, e aqui no Brasil ela tem várias moradas, pois cativou o coração de tanta gente. Não é Thalita, Rodrigo Edson, Popó, Moisés, Paulinho e Andréia??? Vixe! Paro por aqui, mas teria muita gente para incluir nesta lista. 
Ontem foi seu aniversário e quem ganha presente somos nós. 
E bom demais fazer parte da sua vida e agradeço pela pessoa bonita, disponível, forte e parceira “de todas as horas”. 

Te voglio tanto bene!