terça-feira, 31 de maio de 2011

Saramago no Campo Alegre



Esta frase do Saramago traduz bem uma grande realidade: nossa vida é carregada de possibilidades. Acontece que muitas vezes queremos preenchê-la com coisas, como de fosse um depósito, um baú. Achamos que agenda diária repleta de “compromissos importantes” justifica o cansaço e santifica o repouso. Colocamos na nossa cabeça que estudar sem parar é a garantia para não ficarmos para trás na luta pelos primeiros lugares, ou para mantermos nossa utilidade. E a lista das coisas importantes que não podemos deixar de fazer é imensa. No meio dela nos perdemos do essencial que está bem ao nosso alcance, e que encontramos na simplicidade: curtir a família, cultivar os amigos, saborear uma novidade, ler um livro impresso ou virtual, ouvir música, caminhar, ficar sem fazer nada, cantar...
Esta frase está exposta permanentemente no Campo Alegre, para lembrar que nossa vida não está totalmente escrita. Pelo contrário, vamos escrevendo a cada dia. Que podemos começar o próximo capítulo a partir de agora.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Era uma vez uma cachorra chamada Rany...

                                          
...bonita, grande, forte, saudável, fiel e feliz. Pertencia à família dos rottweilers, por isso era feroz, de aparência ameaçadora. Mas a encantadora Rany nunca agrediu ninguém fisicamente, apesar de latir para proteger a si e aos moradores do Campo Alegre. Conhecia cada palmo daquela terra e cada som daquele rincão. Pelo menos uma vez foi mãe e agora, na velhice foi surpreendida por uma doença que a derrubou. Devagar parou de pular, de latir, de comer, mas restou o olhar. Esse sim sobreviveu até o fim. E desse olhar entristecido confesso que fugi algumas vezes. É sofrimento demais perder para o próprio sofrimento. E aquele olhar pedia socorro, pedia ajuda. E nós não podíamos fazer muito mais do que estávamos fazendo, principalmente sua dedicada enfermeira, Sandra. Demos carinho, atenção, remédio, prioridade... mas hoje o que demos foi permissão para ela descansar. Foi com a nossa gratidão. Foi com nosso carinho. Morreu em nossas mãos e aos cuidados de bravos veterinários.
Com ela voltamos para o Campo Alegre. Ali é sua casa. Preparamos seu lugar no jardim. Ali ela dorme um sono merecido, em paz.
Silêncio.

                                           Rany descansando nos últimos dias

sábado, 28 de maio de 2011

Companheiros de estimação!


Somente quem tem um animal estimado pode dizer o que eles representam. Para alguns eles surgiram de repente, para outros fazem parte de um projeto decidido em família. Uns preferem animais de raça, outros não têm tempo para escolher, são escolhidos como foi o caso da Mafalda, que escolheu o Ricardo e a Mirela para dar sua parcela de alegria na vida deles. E olha que essa charmosa gatinha paulistana, hoje mora no Canadá. Vocês vão conhecer a história dela narrada pelo próprio Ricardo.
Também vão conhecer a história do Bolota, fiel cachorro da Carolina. E outras tantas.
“Alguns cachorros e gatos são lindos, mas os vira-latas são imprescindíveis.”
Me chama atenção principalmente os vira-latas companheiros dos moradores de rua. Que fidelidade! Que cumplicidade! Que companheirismo! Numa das manhãs frias da cidade de São Paulo, presenciei um nômade de rua levantando acampamento na 24 de Maio. Primeiro saiu um cachorro, depois outro e mais outro... acho que eram 5. Todos devidamente agasalhados com roupas improvisadas, mas que aqueciam. A felicidade era visível.
Já faz um tempo que estamos com cuidado especial com a Rany, cachorra que ajudou por muito tempo a cuidar do Campo Alegre. Está dodói, e tudo indica que logo irá dormir um sono longo. E se transformará em mais uma flor no jardim do Campo Alegre. O sofrimento e a tristeza desse momento ajudam a enfrentar os outros sofrimentos e tristezas da vida. Nossa gratidão a ela é cuidar bem, tentar evitar a dor, ficar perto.
Tenho visto muitas campanhas de adoção, e acho isso formidável, pois têm muitos bichinhos querendo trazer alegria para nossas famílias.
Ânimo, coragem! Vale a pena! Nem vou postar aqui os links de locais para adoação pois são muitos e em todas as cidades.
Ainda hoje vi um cartaz na frente de uma casa na rua que minha mãe mora: “doa-se filhotes de cachorro”.
Quem quiser contar a história de seus animais agregados, postarei aqui com prazer.
Ah! E não discrimino os de raça não, é que prá esses a vida é mais fácil. Os vira-latas muitas vezes lutam pela sobrevivência. Tanto é que são doados, e não vendidos.

Uma gata chamada Mafalda!


                                                   fotos: Caio Molina                                  
            
“Olha, tem um monte de gatinhos ali!!!” Essa era a frase que a Mi me dizia quando passávamos em frente à uma feira de adoção de gatinhos voltando pro nosso apartamento, após nossa perambulação habitual pelas padarias da Bela Vista nas manhãs de sábado da capital. Naquela época nossos planos de mudança para o Canadá, que já estavam avançados, nos impediam de entrar, olhar, apaixonar e adotar uma daquelas pestinhas que ficavam se esfregando nas grades e fazendo charme quando passávamos. Sempre pensávamos no que iríamos fazer com um gato no momento de mudar de país, pois sabíamos um pouco dos desafios que nos esperavam: arrumar apartamento, trabalho, onde ficar com um gato, como levar um gato de um país a outro etc...  Tínhamos sempre uma lista de detalhes que nos deixavam cada vez mais longe de um bichano. 
Até que num desses sábados, contamos com o abençoado incentivo da mãe da Mi que nos encheu de coragem dizendo:  “Porque vocês não vão lá olhar? Afinal vocês gostam tanto...”
Dito e feito. Entramos na tal feira de adoção de gatinhos. Um lugar pequeno. Uma veterinária que com seu grande coração emprestava seu pequeno espaço para um grupo de heróis que recolhiam das ruas, tratavam e tentavam encontrar uma família pra alguns dos inúmeros bichanos perdidos e abandonados da cidade de São Paulo. Lá dentro olhávamos pra aquela gataiada tentando sentir qual seria o escolhido, mesmo sem saber ao certo o que faríamos com ele no momento da grande mudança.  Tentávamos brincar com alguns, pegávamos outros no colo, estudávamos as reações dos bichos, tudo pra tentar encontrar uma afinidade.  Num determinado momento, enquanto a Mi tentava “fazer amizade” com um gato, eu que estava com um braço encostado numa grade (um dessas jaulas que eles usam pra transportar os bichanos) senti “alguém” me cutucando, e quando olhei, era uma gatinha toda tranquila que se sentou na minha frente e ficou me olhando. Logo chamei a Mi e a mãe dela que já havia percebido o jeito especial dessa que em alguns minutos depois estaria conosco em casa. Neste dia, entendemos que na verdade, nós fomos os adotados. Mafalda ganhou esse nome por ser preta e branca como a Mafalda do Quino, e assim, passou a fazer docemente parte de nossas vidas.
Nos primeiros dias Mafalda parecia nos agradecer o tempo todo pelo novo lar e companhia. Era só alguém sentar no sofá, ela pulava no colo pra ganhar carinho. Com o tempo descobrimos que alguns pensamentos sobre gatos não passavam de mitos.  A história de que todos os gatos são traiçoeiros e que preferem a casa a seu o dono, passou a ser um mito quando percebemos o ritual que se repete até hoje. Quando chegamos em casa do trabalho, sempre temos dificuldades em abrir a porta, pois ela esta deitada na frente nos esperando. É sempre o mesmo ritual: entramos em casa, ela nos olha, mia, se esfrega na gente, e toda manhosa se joga no chão e espera carinho. É claro que ela adora a casa, ela conhece cada canto, se espreme pra entrar em todos os espaços possíveis, mas nos acompanha o tempo todo, corre no quarto para nos acordar de manha, só vai dormir a noite quando todo mundo vai também, deita no chão da cozinha enquanto cozinhamos e conversamos...
Vimos também que é verdade que gatos são temperamentais e não estão 24 horas por dia querendo a sua atenção. Mafalda pede carinho quando ela quer, mas adora também curtir seu tempo sozinha sem ser incomodada. E quem não gosta?
E a mudança pro Canadá aconteceu, e claro, todos os medos e receios de trazê-la ficaram pequenos depois que percebemos que ela já fazia parte da nossa história. Mafalda não só veio junto como nos ajudou muito no processo de adaptação por aqui. No ínicio nossas jornadas eram bem cansativas, afinal tínhamos que nos adaptar a uma nova língua, uma cultura diferente, o clima e todas as novidades de um país desconhecido para nós. Chegávamos em casa no final do dia exaustos, e encontrar Mafalda  deitada na porta nos esperando pra fazer todo ritual de carinho e boas vindas era gratificante.
Podemos dizer que Mafalda nos enche de alegria, confirmando que tivemos uma ótima ideia de adotá-la, e encorajamos todos que queiram a fazer o mesmo.”
                                                                                                           Ricardo Segantini, Canadá 


                                                               Ricardo, Mafalda "se sentindo" e Mirela

quarta-feira, 25 de maio de 2011

"O segredo é não correr atrás das borboletas..."



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Nosso esforço, perseverança e disciplina têm muito valor. Muitos dos frutos que colhemos dependem deles. Trata-se do “fazer a nossa parte”. Devemos cuidar dos nossos projetos para que eles possam ser realizados. Desde um jantar que preparamos para receber os amigos, até os maiores desafios profissionais, por exemplo. É tudo passo a passo, prestando atenção nos detalhes, cumprindo cada estágio. Mas o resultado chega. Nem sempre da forma que queremos, mas muitas vezes melhor do que esperávamos. A vida é assim, cheia de surpresas. Uma coisa é certa, nossa participação ativa na construção dos sonhos, dos projetos e dos jardins é imprescindível... e as borboletas virão, das mais diversas cores e tamanhos.


terça-feira, 24 de maio de 2011

Um brinde às terças-feiras!

Ontem algumas pessoas comentaram sobre as segundas-feiras. Parece que para a maioria ela tem um peso diferente dos outros dias. Como dizia a Mariana, com ela vem o receio das incertezas, coisas boas ou ruins que podem acontecer. Ou, como disse o Rodrigo, é momento de verificar os projetos de vida. Mas uma coisa é certa, ela é marcante. Por conta disso, todo final de segunda-feira tem um pequeno gosto de vitória: a semana começou, tudo está novamente engrenado, o hábito do trabalho e do cumprimento de horários foi retomado, e estamos vivos!!! Então, as terças-feiras chegam para coroar essa sensação, elas têm um ar de alívio.
Na verdade os dias da semana têm sua marca. Parece que o sol do final de semana tem um brilho diferente. O entardecer da sexta-feira, comparado ao do domingo carrega em si um espetáculo peculiar. O amanhecer do sábado comparado com o da criticada segunda-feira parece até de outro sol. Mas o sol, a lua, a brisa, o vento, a garoa, o calor e o frio não escolhem os dias, apenas realizam num ritmo admirável sua missão natural.
Acho que tudo seria diferente se a gente se acostumasse a celebrar diariamente o dom da vida, a alegria de ter família, trabalho, amigos, um lar. Se na nossa agenda diária tivesse um tempo reservado para a conversa, prática de atividade física e diferentes formas de lazer, além do trabalho e afazeres domésticos, seria bom demais. Se a segunda-feira fosse dia do prato preferido no jantar, a quarta-feira dia de reunir os amigos para jogar ping-pong, a quinta-feira dia de leitura ou filme etc, os dias seriam esperados com mais prazer. A segunda-feira seria bem-vinda se viesse acompanhada de alguma coisa que realmente gostamos. Bem, a dica está lançada. Vamos usar a criatividade e carpe diem.

domingo, 22 de maio de 2011

Um brinde às segundas-feiras!

Ao contrário do que parece, a segunda-feira carrega em si o poder da renovação, do recomeço. Muita gente resiste a esse dia. Chega a ter ansiedade quando se aproxima, pois com ele vem o trabalho que nem sempre é prazeroso, o vencimento de contas, cumprimento de compromissos, o contato com a realidade mais dura, diferente daquela do final de semana.  Mas é na segunda-feira que a gente começa dietas e regimes, com esperança de ganhar saúde e beleza física. É geralmente nesse dia que começamos um trabalho novo, com todo vigor diante do novo desafio. Às segundas-feiras começamos, inclusive, a contagem regressiva para o próximo final de semana.

Então, viva as segundas-feiras e boa semana prá todos!


Nada melhor para propor que um artigo sobre o desafio, escrito pelo professor e administrador de empresas Valdo Garcia Filho.

"Não sobe, senão você cai..."

"Aí Bianca sobe, e quando chega no topo diz: não caí...
Essa é uma criança movida a desafios, e tem todas as chances de se tornar um adulto de sucesso, buscando realizar coisas, com riscos calculados e quando chega onde queria, diz, mesmo que seja prá si mesmo: não caí..."

Vejam o artigo completo na página "falando sério".