domingo, 5 de abril de 2015

Feliz Páscoa!

O motivo da nossa esperança nasce da Páscoa!

É a vitória da vida!!! A certeza de que sempre haverá um recomeço, uma possibilidade, um encontro, um sentido, um “sentir-se em casa”, acolhido, protegido, aceito, amado.
Ao invés de multiplicar as palavras, escolhi duas imagens que poderão comunicar o meu desejo de Vida Nova a todos!

A Rafaela é a alegria em pessoa! Com um olhar especial e atento nada escapa ao seu redor. Tem uma disposição incrível, e está sempre antenada com o ambiente e com as pessoas. Cada instante é uma novidade que ela saboreia intensamente. Sempre disposta a brincar, passear, degustar novos sabores, ela sempre resiste ao sono, que apenas interrompe essa inesgotável sede que ela tem pela vida. Quando acorda, começa tudo de novo e a alegria é constante! O entusiasmo fez morada nesse coraçãozinho especial, que irradia amor.

Desejo a todos o entusiasmo e a alegria da Rafaela!



A outra imagem reflete um encontro do céu e da terra, do humano com o sagrado.

O amor de mãe que gera, cuida, acolhe, protege, contagia, semeia... e o amor do filho que se deixa amar, cuidar, acolher, arriscar, inspirar, transbordar... Há uma parábola da Páscoa nesta imagem! Na serenidade da mãe e do filho podemos contemplar o amor de Deus pelos seus filhos.

Desejo que todos possam se sentir amados como o Mathias! E que esse amor se transforme em vida renovada!


Um grande abraço a todos!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Thor e Belle

Eu sabia que estava chegando a hora...
Aliás, eu até pedi que essa hora não demorasse. Ver um velho amigo sofrer faz sofrer...
Mas o pedido sempre foi acompanhado de gratidão. Como foi bom viver em sua companhia!!!
Cachorro forte, corajoso, honrava seu nome: Thor!!!
Mas por trás desse pequeno trovão também habitava um animal tímido, frágil, que não gostava nada da solidão... Mesmo ceifado de boa parte dos sentidos, sabia se orientar para locais estratégicos: o quarto da minha mãe, onde dormia; perto da pia ou do fogão, enquanto ela cozinhava; ou no tapete da sala, também ao lado dela. 
Os últimos anos não foram fáceis para ele. Com a saúde debilitada, necessitava de muitos cuidados. Já não tinha aquele vigor, mas sua dignidade foi garantida pelo essencial que vale para todo mundo e que brota do coração, o amor. 
Perdeu sua companheira de todas as horas em novembro do ano passado. Depois disso, foi entregando os pontos devagar.
Ontem, quando teve convulsões, ofereci minhas mãos e braços numa tentativa de lhe garantir alívio. Aquele abraço forte, apertado, prolongado foi para dizer que ele nunca esteve sozinho, nem nessa hora mais difícil.
Nessa tarde chegou ao fim sua missão de cão companheiro. Foi descansar onde todos seus companheiros descansam... no Campo Alegre, bem perto de rosas bonitas e cheirosas chamadas Kika, Amendoim, Rany e Belle.  Mas não vai ter planta nova em sua homenagem. Sem imaginar, eu já tinha plantado há anos um pau-brasil legítimo, que nesses dias está florescendo. É sob sua sombra que descansará esse guerreiro.
Obrigado, Thor!!! 

E a Belle...

Uma cachorrinha tão linda e educada como a Belle, só podia ter esse nome. 
Não tive condições de escrever quando ela foi morar no jardim, pois foi muito difícil. Parecia que sua força seria sempre suficiente para superar tudo. Mas não foi assim. Não é assim para ninguém. Em algum momento devemos mudar para algum jardim. No caso deles, vão de mala e cuia para o Campo Alegre. E ali continuam fazendo parte da linda natureza criada por Deus. 
Ela também foi companheira de todas as horas, principalmente da minha irmã. Incrível como  viviam em sintonia... ela podia perceber que a Sandra estava chegando mesmo quando ainda estava a quilômetros de distância... dormia ao lado de sua cama, a seguia até o banheiro e ficava de prontidão aguardando seu retorno, quando saia. E foi em suas mãos que respirou pela última vez.  Thor sempre foi seu eterno namorado. Todas as manhãs ela ia chegando perto, encostava e não se arredava enquanto ele não a lambia toda. 
Desde novembro ela foi morar no jardim e aguardava ansiosa a chegada de seu companheiro.

Por fim, não podia deixar de falar das cuidadoras desses dois amigos, Selma e Sandra.
Com elas, eles sabiam que estavam sempre em boas mãos. Noites e noites acordando para limpar sujeiras de cachorros dodóis... comida na hora certa, abrindo mão de passeios e viagens para não deixá-los sozinhos. Sem falar no carro da Sandra sempre com cheiro forte do Thor, e os tapetes de casa sempre molhados de xixi, mau hábito pelo ar... nada disso foi suficiente para desanimá-las. Quatro guerreiros, cada um da sua maneira. Com a partida de dois deles, as que ficaram merecem descanso e uma vida feliz. Que coração grande e generoso dessas duas!
Parabéns, Sandra e Selma!
Obrigado, Belle e Thor! Floresçam no jardim que agora é sua casa!!!!
Com as saudades de sempre...

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Um jovem Major chamado Rodrigo Edson!

Falar dos próprios méritos e vitórias pode soar mal, dar uma sensação de superioridade e até arrogância. Mas a verdade é que reconhecer a conquista dos objetivos pode estimular um crescimento pessoal contínuo, motivando outros a darem o melhor de si.
Vou contar a história de uma pessoa, que tem a minha mais profunda admiração pela força de vontade e disciplina na conquista de suas metas.
Receber um nome composto que sempre provoca risos ao ser pronunciado já era um prenúncio de que o menino seria notável. Afinal, será que existe algum outro Rodrigo Edson? Eu duvido!!!! Nem vou dizer os sobrenomes de pai e mãe, pois de tão simples e comuns, passariam despercebidos diante desta composição exclusiva.
Várias pontes cruzaram a vida desse garoto, que é fruto do encontro de um nordestino com uma mineira, bem no seio do Distrito Federal. Uma das maiores pontes certamente foi a que o fez vencer a timidez e passar para a outra margem, a da comunicação. Consegue atingir com sua maneira simples de se expressar crianças e idosos, que sentem prazer pela sua presença; também seus alunos que certamente se entusiasmam pela maneira apaixonada com que vive a profissão; e seus pacientes pela forma acolhedora e cuidadosa com que recebe cada um para o tratamento da saúde bucal. 
Outra ponte cruzada foi a do ostracismo para o sucesso. Quem daria algum tostão furado para aquele “garotinho do Colégio militar” que tinha o péssimo hábito de autoflagelação (risos...), machucando de propósito a própria unha do pé? Sem falar que vivia explorando o irmão caçula na venda de chup chup (din-din ou juju) nas redondezas de onde vivia. Era mais um menino no meio de tantos outros.
Apesar de ser um desportista, não foi nessa área que se sobressaiu, mas sim na acadêmica. Teve a oportunidade de escolher entre as melhores universidades públicas do país onde queria se graduar em Odontologia. Além de uma lista grande de particulares, deixou pra trás a UNESP, UNB para cursar a Universidade de São Paulo, USP, em Ribeirão Preto. Ali conquistou o primeiro lugar na lista de aprovados na primeira fase do vestibular, concorrendo com milhares de jovens de todo o país. Mas o mérito maior na USP foi ter conseguido a brilhante posição de melhor aluno do curso de Odontologia da Universidade, Turma de 2003.
Foi então que cruzou rapidamente mais uma ponte, a da graduação para o mestrado, na mesma universidade, dando sequência a sua série de conquistas.
Mas uma grande ponte ainda estava por atravessar, a da vida civil para a militar. E essa foi uma das mais árduas e que exigiu o maior esforço. Abriu mão do lazer, viagens, vida familiar e convivência com os amigos para se preparar para o concurso de ingresso para cirurgião dentista do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. A recompensa do esforço e dedicação foi coroada pela aprovação em todas as fases do concurso, tendo tomado posse no ano de 2007. 
Além disso, há algum tempo trabalha na Universidade Católica de Brasília, na formação de novos dentistas, e, em pouco tempo, já cativou seus alunos, a ponto de receber várias homenagens.
Hoje, com apenas 35 anos de idade, cultiva os merecidos títulos de Professor, Mestre e Major.

Mas o que o torna diferente dos demais é sua humildade. Vive de forma simples, sem ostentação e com a atenção sempre voltada para a necessidade dos outros.

Parabéns, Rodrigo Edson! Para você, nota 10, com louvor!!!!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Professores... e filhos!

Hoje aqui no Brasil é o dia dedicado aos professores.
É feriado escolar, dia de homenagens, reconhecimento, reivindicações.
Particularmente, acho que é o melhor título que alguém pode receber: o de mestre! Ele é imprescindível!
Esta profissão, quando é assumida como missão, tem o poder de libertar, de levar à luz aquilo que está na escuridão. De fazer renascer a cada dia para o mundo novo que o conhecimento gera.
Nesse sentido, hoje minha homenagem vai para os meus três jovens sobrinhos, Bruna, Débora e Marcelo.
Sou testemunha da seriedade com que encaram a educação dos filhos. Vejo a verdade estampada em cada gesto de estímulo, carinho, e na firmeza dos limites.
Acima de tudo vejo coragem na luta contra o “tudo igual” e contra o “quanto mais melhor”. Nos pequenos gestos, vejo uma batalha travada a cada dia para a vitória do essencial: o amor, o respeito, a simplicidade, a convivência saudável.
Nesse sentido, peço licença às meninas (Bruna e Débora), para partilhar um gesto do Marcelo com a Maria Eduarda no último dia das crianças.
De repente uma nova proposta: sugeriu à filha que neste ano o presente
fosse diferente, ao invés de “presente brinquedo”, que ela escolhesse algo para fazerem juntos: um passeio de bicicleta, um jantar... e ela escolheu brincar de boliche com o pai e amigos.
Parabéns, Marcelo! Acho que o caminho é esse. 
Não é pelo dinheiro (apenas), pois talvez algumas horas de boliche sejam mais caras que um simples brinquedo. Mas o mérito está no gesto. 
Minha intenção não é iniciar uma campanha contra o brinquedo simplesmente, mas é estimular uma busca por alternativas que concorram com a mesmice (caríssima) ditada pelos meios de comunicação. Todos os pais podem dar um passeio com seus filhos, empinar uma pipa, preparar juntos um lanche, construir um brinquedo com restos de madeira ou outro material reciclável. 
Ao contrário de ser um retrocesso, esse caminho da volta às origens, ao essencial, à criatividade, ao simples, pode ser um estilo de vida: autêntico e cheio de sentido.

Feliz dia dos professores!

domingo, 14 de abril de 2013

Minha história com o café


Quem me conhece sabe que sou apreciador do café. Apreciador só não, sou cafezeiro, daqueles que não rejeitam um só convite para saboreá-lo. Acho que tem relação com meu costume de acordar bem cedo.
Hoje prefiro café caipira, de coador de pano ou filtro de papel, encorpado, quente (bem quente), e com pouco açúcar. Mas tomo também um bom caffè espresso, o americano, o carioquinha e todos os demais (rs).
Posso até tomar café sozinho, mas prefiro acompanhado por uma boa conversa. E meus dias sempre iniciam com café, na maioria das vezes acompanhado por minha mãe. Depois do café estou preparado para enfrentar qualquer missão.
Por algumas ocasiões tive que interromper esse prazer por conta do cuidado com os dentes, pois ele é um dos maiores responsáveis pela pigmentação e alteração da cor branca dos mesmos.
Acabei de passar por num período desses. No início e por alguns dias cheguei a sentir um pouco de dor de cabeça, mas depois o organismo foi se acostumando. Só suportei pela certeza de que iria novamente poder saboreá-lo.
Para além de tudo isso, o café para mim é sinônimo de encontro. A degustação começa na preparação, no manejo do pó, do coador... seguido pelo aroma que inebria. Sorver o primeiro gole então é inexplicável.
Pra mim não importa o lugar, se na casa dos meus vizinhos aqui da rua, na Galeria Vittorio Emanuele, em Milão, ou a Piazza San Marco, em Veneza. Se nas madrugadas da casa da Clara (e minha) em Asola, na companhia do Niccola antes de ir pro trabalho, na casa da minha amiga Sheyla em Medellin (Colômbia), que o prepara aromatizado com canela ou cravo, ou na casa da minha mãe nas incontáveis manhãs...
Tenho uma vizinha que de vez em quando me liga para convidar para o café quentinho que acabou de coar... e, é claro! Eu sempre aceito.
Sem falar na coleção de cafeteiras italianas, cada uma com uma história. Hoje, em homenagem ao dia do café, inauguro uma que promete um café cremoso. Trouxe no ano passado e resisti aguardando uma ocasião propícia.
Não posso nem imaginar como seria sem pelo menos o café preto das primeiras horas das manhãs. O vigor do sabor, o aroma, a conversa, o silêncio acompanhado. É quase um ritual que para mim deve ser cumprido diariamente.

Viva o café!!!


domingo, 31 de março de 2013

Feliz Páscoa!


Parábola da criança feliz


“O Reino de Deus é comparado a uma criança que saiu para brincar...
Enquanto brincava recebeu a promessa de uma aventura no balanço da árvore gigante de jatobá.
A criança continuou a brincar, mas seu coração batia cada vez mais forte ansiosa pelo cumprimento da promessa.
Chegada a hora integrou a pequena expedição passando pelo galinheiro, curral,  pedindo licença às vacas e bezerros que guardavam o balanço.
O coração não cabia no peito enquanto cada amiguinho experimentava a emoção do balanço.
Olhava admirada e já se imaginava voando...
Quando chegou sua hora parecia inacreditável. Se acomodou sem medo algum, preparada para saborear cada momento.
E quando tirou os pés de chão recebendo os primeiros impulsos, começou a voar, voar, voar... numa mistura de realidade e sonho.
E seu agitado coração de criança ardeu no peito de tanta alegria... ela não sabia, mas naqueles instantes experimentou um pouco da eternidade... do céu!
E a alegria foi tanta, que preencheu todos os espaços não sobrando lugar para medos e tristezas!
E o melhor de tudo foi que recebeu a promessa de balançar no pé de jatobá sempre que quiser.
A criança voltou para casa feliz, e toda noite antes de dormir fecha os olhos e se lembra da emoção de voar, voar, voar...!"

Através da alegria da Fernanda no balanço desejo a todos uma Feliz Páscoa!!!

terça-feira, 19 de março de 2013

Teatro del Silenzio


"Io la vedo questa terra, la sento premere sotto i miei piedi.
Questa è la mia terra.
Una terra che, come me, ama il silenzio.
E se con la mia voce rompo questo silenzio, lo faccio per rendere omaggio a questi luoghi e alla mia gente.
La musica penetra la terra, la percorre e vola lontanissima. 
E' un messaggio d'amore."

                                                       Andrea Bocelli




E se nós pudéssemos quebrar o silêncio para acrescentarmos um pouco de beleza, esperança, alegria e entusiasmo à vida????

Quebrar o silêncio pressupõe estar primeiro em silêncio, exterior (mais fácil) e interior (mais ousado).
Tomar gosto pelo silêncio é dar a si mesmo a possibilidade de mergulhar com profundidade no mar misterioso da vida.
Ele é a ponte que torna possível a travessia entre as coisas superficiais e aquelas que carregam um significado maior e que, por isso mesmo, nos faz descobrir o sentido da nossa existência.

Mas como esse não é nenhum tratado sobre o silêncio, vou direto ao ponto.
É apenas uma sugestão para quem for a Itália. Na Toscana, no caminho do mar da Ligúria, está Lajatico (pronuncia-se “laiático”). É a terra do autor da bela voz, Andrea Bocelli.
Demorei a encontrar no mapa, mas a insistência valeu a pena. Foi uma tarde maravilhosa de inverno, passeando pelo vilarejo e pelo magnífico Teatro do Silêncio.

Vale lembrar que os shows do Bocelli acontecem no verão europeu.
Já descobri que neste ano será no dia 13 de julho, e cantará músicas do novo álbum “Passione”.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Viajando com fones de ouvidos...

Outro dia passando por uma rua bem movimentada perto do meu trabalho, presenciei uma cena cujas imagens me acompanharam por dias. Uma recolhedora de recicláveis "pilotava" seu veículo (carroça) conduzido por si mesma, movido pelo combustível de seu esforço, no lado direito destinado aos veículos automotores, movidos por combustível fóssil ou renovável. Trajava roupa que a protegia dos raios ultravioletas, sem ter se descuidado do chapéu, com abas consideravelmente largas. Na hora pensei no risco que corria, pois estava transitando numa via destinada a carros, motos e caminhões. Qualquer motorista distraído podia provocar um acidente grave.
Mas o que mais me surpreendeu foi que aquela mulher usava fones de ouvidos. Isso mesmo, fone de ouvidos! Aqueles mesmos que usamos para ouvir músicas enquanto trabalhamos ou fazemos atividade física, ferramenta para distração ou motivação. Esse foi o motivo principal daquela mulher ter chamado a minha atenção. Pessoas assumindo pequenos riscos estou acostumado a encontrar nas ruas aos montes. Mas correr risco com tanta tranqüilidade (ou indiferença) me causou impacto mesmo depois de tê-la perdido de vista ao retrovisor. O que estaria passando pela sua cabeça? Para que lugar a canção a estaria levando? Estou quase certo de que se ela tinha alguma preocupação não era com a possibilidade de ser atropelada. Imagino que ela deve ter deixado em casa os motivos de sua árdua tarefa diária: família (filhos, companheiro, cachorro etc). Também imaginei que canção estaria ouvindo. Para onde estaria indo. Que já tinha um itinerário a cumprir e que se resignava ao trabalho digno, mas estafante, que lhe dá a condição de cidadã que não fica à espera da oportunidade, mas se levanta com criatividade e age.
Imaginei mais ainda, que como não ouvia ruídos dos motores e das buzinas, se orientava também pelos vultos e pelo vento quente das máquinas velozes e furiosas que a ultrapassavam. 
Queria seguir aquela mulher por algum tempo para invadir um pouco sua privacidade, e tentar descobrir algo mais de sua história. Mas certamente eu ainda não pertenço ao seu ritmo. Estou do lado de cá. Do lado das coisas óbvias, calculadas, aparentemente seguras. 
Despedi pedindo a Deus que a proteja, que seus "anjos da guarda" estejam sempre ao redor daquela guerreira anônima, como acreditamos estarem ao lado das crianças inocentes.



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Atiçando o paladar...

Observar a fruta no pé ou a verdura na horta é muito bom. Mas nem sempre ali na natureza elas duram o tempo que a gente gostaria. Por isso, é preciso disposição para aproveitar o máximo do que elas oferecem e por mais tempo.

Nos últimos dias fiz licor de jabuticaba, pepino em conserva, jurubeba curtida (só eu gosto), suco de maga verde com hortelã, e congelei acerola e manga.




A receita é da Gilda: jaboticabas limpas (mas sem lavar), açúcar e cachaça. 13 dias de repouso num recipiente de vidro fechado. Depois é só coar. É a segunda vez que faço e testemunho que dá certo. O sabor é ótimo, mas o aroma é impressionante




Esse pepininho em conserva também é muito bom. Vai bem com cervejinha gelada, ou pode ser usado no recheio de sanduíches.


A jurubeba é amarga. Muito amarga! Eu sempre como com carnes e comidas com tempero mais forte e nunca tenho problema com o fígado e estômago. Se alguém quiser, está à disposição. 

Também coloquei as mãos na massa, literalmente. Com a ajuda da Oneide que me ensinou uma receita de massa muito simples, fiz tortelli di zucca. Esse prato típico no Norte da Itália por ocasião das festas natalinas, especialmente na ceia de Natal, é um dos meus preferidos. Depois de cozido, basta derreter manteiga, sálvia fresca e queijo ralado. A combinação é perfeita.




Postei nos “aromas e sabores” a receita do arroz com linguiça na panela de pressão. Esse prato é um coringa. Satisfaz todo mundo (as crianças adoram!), e pode ser feito até para as visitas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

"Clara como a luz do sol..."


18 de dezembro de 1988.
Estação de Brescia, Lombardia, Itália.

No meio de uma recepção calorosa, numa noite muito fria de inverno, cruzei com a Clara pela primeira vez. Ali nasceu uma história de amor e amizade que amadureceu nesses 24 anos, fazendo com que nos transformássemos em família com tudo o que isso significa.
Atravessamos o Atlântico inúmeras vezes ao longo desses anos com a mesma ansiedade de sempre. Nestes encontros sempre fazemos o mesmo check list de coisas para cumprir. E é impressionante como tudo é saboreado como se fosse a primeira vez, desde um simples café da manhã no bar até o imperdível tortelli di zucca, que só de imaginar me dá água na boca... humm!!!!!!
Sua casa, na Via Montessouri, se transformou na minha casa, e aqui no Brasil ela tem várias moradas, pois cativou o coração de tanta gente. Não é Thalita, Rodrigo Edson, Popó, Moisés, Paulinho e Andréia??? Vixe! Paro por aqui, mas teria muita gente para incluir nesta lista. 
Ontem foi seu aniversário e quem ganha presente somos nós. 
E bom demais fazer parte da sua vida e agradeço pela pessoa bonita, disponível, forte e parceira “de todas as horas”. 

Te voglio tanto bene!



sábado, 3 de novembro de 2012

“O sabor das mangas e das maçãs...”

O aroma, o sabor, a beleza, a diversidade... tudo isso a manga tem em abundância. Aqui no Centro Sul do Brasil está chegando a época da colheita. Tem aquelas cuidadosamente plantadas e cultivadas, mas tem também as que foram semeadas por chupadores de manga anônimos que atiraram o bagaço num pasto qualquer... No quintal, à beira das estradas, nos pastos ou nas calçadas (como em Belém e Assunción), elas produzem com fartura. No início da safra, quando a vontade é ainda mais aguçada é comum assistir aos profissionais do tiro ao alvo amadores buscando aquela que amadureceu primeiro, bem no alto da mangueira.




As mangueiras mesmo sem frutos têm seu encanto. Principalmente aquelas do pasto, podadas por bois e vacas que se alimentam também de suas folhas. A precisão da poda da base da árvore é impressionante. Além disso, seus galhos são propícios para balanços, que transportam crianças e adultos para um mundo de sonhos.


Acima ou abaixo dos trópicos habitam a macieiras, com espetáculo bem parecido. Tem as cultivadas e aquelas quase naturais, dos pastos e quintais. Aroma, formato, sabor e um rol enorme de benefícios para a saúde justificam a existência desse fruto inspirador de muitas histórias e fábulas. Impossível não se render à beleza que beira a perfeição desse fruto tão conhecido e consumido.




Na Suíça, as macieiras estão por toda parte e em grande quantidade. A produção é tão natural que nem causa impacto. Da árvore para o forno é como num passe de mágica... E por falar nisso, quem fica indiferente ao cheiro inconfundível da torta de maçãs? Aquela tortinha do Mc Donald’s sem cor nem sabor, nem chega aos pés do verdadeiro strudel de maçã feito por mãos habilidosas de quem vive na terra das macieiras. Naquele país experimentei pela primeira e única vez o “mosto de maçã”. Uma bebida à base da fruta fermentada que deixa a gente “feliz e leve” e, se não houver controle, “derrubado”.


Eu tenho um amigo-irmão da terra das maçãs, o Christian. Dessas amizades inesperadas, mas que duram para sempre. Tive a oportunidade de conhecer um pouco do seu país, sua família, seu povo... e, é claro, as macieiras, com strudel e mosto. O filho suíço é companheiro de aventuras, de esporte. A mãe Clara é a senhora simpatia. Suas mãos abençoadas e hábeis deslizam na cozinha criando verdadeiras obras de arte da gastronomia. Eu tive a honra de ter me sentado à sua mesa e degustado tanta comida boa, além da companhia agradável daquela família acolhedora.



O pai Walter é um homem da terra, muito bom exemplar de uma Suíça encantadora. Me acolheu como um filho, prova disso é que me concedeu o direito de dirigir seu “trator de estimação”. Além disso, me iniciou na arte de apreciar o mosto de maçã, e queijos artesanais das montanhas.

Prá finalizar, ainda sobre mangas e maçãs, além das combinações que já existem, tem uma completamente original, resultado da união de uma representante dos trópicos, da terra das mangas, a Keila, com um representante dos Cantões Suíços, terra das maçãs, o Christian. E não pára por aí, pois da união desses dois nasceu a Nina, uma bela mistura de manga e maçã!!! Mas a história desses três é um outro capítulo, e um dia, com autorização (rs!) eu publico.



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Um amor que nasceu numa colina francesa


Hoje, último dia do mês de outubro, quero homenagear uma pessoa muito especial que há muito tempo passou a fazer parte da minha vida como um presente de Deus. A escolha não foi nossa. Nos encontramos movidos por uma força maior, aquela mesma que faz brotar e crescer o amor. Era o ano de 1988, nos últimos dias do mês de dezembro. Ela chilena, eu brasileiro, e o encontro em Paris. Naquele frio do inverno europeu houve calor suficiente para fazer nascer uma amizade que seria eterna. Passar um tempo na colina de Taizé deixa marcas. No meio de tanta gente meu coração batia em sintonia mais afinada com alguns, dentre eles o coração agitado de uma jovem prestes a dar um ultimato ao noivo: ou casa, ou casa!!! Aliás foi o que aconteceu quando voltou ao seu país.
Foi uma convivência intensa, com sinais concretos de que era somente o começo. Além de amiga, é irmã e às vezes mãe. Meu deu de presente fazer parte da sua vida: ganhei um amigo e pai chileno, irmãos, sobrinhos... uma bela família.
E já são milhares e milhares de milhas percorridas entre Brasil e Chile prá matar as saudades ao longo desses anos.
Por isso não podia deixar de agradecer a Deus pelos seus bem vividos 50 anos.
E agradecer a você Mara, por ser parte essencial da minha vida.
Receba meu amor e minha admiração.

Mara Figueroa

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Um amigo chamado Popó, também conhecido por Alexandre!


Querido amigo Alexandre!
Hoje  você completa mais um ano, e não podia deixar de agradecer a Deus pela sua vida. 
Resolvi escrever assim, publicamente, pois é uma forma de expressar um testemunho de que a amizade continua sendo uma das maiores riquezas que podemos conquistar.
Amizade sincera, duradoura... tão firme e resistente que é capaz de vencer os desafios da distância, do tempo...capaz de viajar conosco pela eternidade. Certamente nos reconheceremos mesmo quando nossos corpos tiverem passado pela transformação da morte. 
Você é daquelas pessoas que a gente realmente pode pensar em voz alta. Sem medo de julgamento, censura e sempre muito, mas muito confiável.
Você é um exemplar de ser humano entusiasmado, cheio de vida, capaz de apoiar e estimular os projetos dos outros como se fossem seus. 
Está longe de ser perfeito, eu mesmo me atreveria a listar aqui muitas fraquezas suas (risos!). Mas isso, longe de ser defeito, faz de você uma pessoa acessível, aberta. Ao mesmo tempo especial e comum, como são chamados a serem os filhos de Deus.
Muito difícil ver alguém com disponibilidade como a sua. Se desdobra para multiplicar o tempo, os ouvidos e o coração para chegar próximo das necessidades dos demais. Você tem um cuidado especial com as pessoas, e isso tem muito a ver com o evangelho de hoje. Muitas vezes você se coloca em último lugar para permitir que outros tenham oportunidades, dignidade, prazer, satisfação. Certamente por conta disso você deve ter uma alegria bem particular... aquela satisfação descrita nas parábolas de Jesus sobre o Reino de Deus.
Nesta “peregrinação de confiança pela terra”, nossos caminhos se cruzaram tantas vezes, e isso me faz ser muito grato a Deus.
Obrigado pelas lições ensinadas através dos seus gestos, suas palavras, e muitas vezes, pelo silêncio carregado de presença.
Quero vê-lo sempre muito feliz, driblando as coisas óbvias e às vezes medíocres desse mundo, descobrindo nas coisas simples e originais o sentido da vida! Feliz aniversário!

Meu forte abraço, que sempre vai atravessar as fronteiras.

terça-feira, 24 de julho de 2012

“Vinde a mim vós que estais cansados e oprimidos...” (Mt 11,28-30)



Este evangelho esteve presente na liturgia da semana passada, mas na minha opinião, ele deveria estar impregnado na nossa mente para que pudéssemos nos lembrar diariamente desta promessa de Jesus, de que sempre podemos contar com Ele. E o convite é permanente. As portas sempre estão abertas e nós podemos buscar o alívio sem condições.
Todos os dias recebo notícias tristes de que alguém está passando por dificuldades, que está doente, ou que perdeu algo ou alguém. Na maioria das vezes a gente pode muito pouco. E a ajuda mais eficiente é dividir o peso. E fazer isso não significa transferir os problemas, mas oferecer e receber ajuda o bastante para permanecer de pé, enfrentando as dificuldades. Dividir o fardo pode ser encontrando alguém que nos escute com atenção, nos ajude na organização interior, ou a dissipar os medos. Pode ser simplesmente numa demonstração de que não estamos sozinhos, que somos queridos. 
Quando nos sentimos amados, a chama quase apagada volta a queimar, e com a intensidade que nos dá coragem e ânimo para enfrentar as dificuldades da vida.

“Estou cansado!” é uma das frases mais freqüentes nos diálogos entre as pessoas. Mas o cansaço nem sempre é físico. Ele está muitas vezes relacionado com as frustrações diárias, com os desânimos. E como é que a gente pode “descansar”? Antes de descansar do que nos cansa, é preciso enfrentar o que nos provoca o cansaço, caso contrário estaremos sempre na mesma. Identificando a causa podemos avançar na busca de uma vida mais equilibrada, onde as surpresas do cotidiano não sejam capazes de nos derrubar. Isso é bem prático: quando estamos num período de equilíbrio e bem estar, as dificuldades se reduzem ao tamanho real, sem aquela aparência de monstro gigante, difícil de enfrentar.

Precisamos de um refúgio para recuperar as forças e a sintonia com o que está ao redor e no próprio interior. Qual tem sido o nosso refúgio? Pode ser qualquer lugar onde nos sintamos bem, em paz. Em nossa casa, em um jardim, numa caminhada, na oração. Hoje mesmo num dos cadernos do jornal local o tema do artigo era “O poder do silêncio”. Aí está uma resposta para esta busca. O silêncio certamente nos ajuda a entrar novamente no eixo, a encontrar o norte. 
Posto abaixo uma foto da capela do Campo Alegre feita na semana passada. É simples, aberta, acolhedora. Quem quiser aparecer para seu momento de silêncio e de encontro pessoal será sempre bem-vindo!





Sobres redes e blogs...



Engraçado como a gente acaba trilhando novos caminhos inesperadamente. Quando caímos na conta... já estamos embrenhados na floresta. Estou falando do facebook e do blog.
Já tinha criado uma conta no facebook há muito tempo, mas não usava com freqüência. Quando fui postar novos álbuns de fotos no blog, descobri que minha cota no picasa (onde eram armazenadas as fotos) tinha expirado.
O facebook tem muitas coisas boas, bem positivas mesmo. Reencontrar pessoas, saber notícias com mais freqüência sobre a maioria delas, fotos atualizadas, e muitas, muitas frases... Mas infelizmente, muitas coisas jogadas ao vento...
Quase todos os “cartazes”, frases, trazem mensagens interessantes, que podem levar a uma reflexão. Mas gostaria que, pelo menos de vez em quando, viessem acompanhadas do “parecer” daqueles que postaram. Mesmo que fosse uma frase. Sei que é uma rede, destinada a mensagens curtas, mas nem por isso precisa ganhar este formato. Tudo bem que algumas frases são tão impactantes que não precisam de mais nada. Gosto muito da Cora, do Quintana, do Dalai Lama, do Rubem Alves, do Galeano, do Saramago... mas gostaria de saber um pouco mais dos Josés e das Marias que vivem no anonimato.

sábado, 23 de junho de 2012

Assim nasce um artista...



 

Nossa grande contribuição para quem está descobrindo a vida é apresentar as possibilidades.
Esse é o João Vítor. Dispensa o pincel e pinta o “sete” com os dedos.
Sentir a tinta diretamente pode dar uma sensação diferente, que ele certamente descobriu primeiro que muitos de nós.
Incrível como ele mergulha na aventura de criar sua própria arte...
Parabéns, João Vítor!

 

Sábado de manhã com muito gosto!


Inverno com cara de outono.
Despertar antes de sol para saudá-lo.
Tomar café na companhia da também madrugadeira Selma, rodeados pelo Thor, Belle e as calopsitas.
Voltar para casa e cuidar do jardim.
Plantar com especial cuidado umas sementes de espinafre, que resiste em voltar para o Campo Alegre (antes ele renascia com força a cada inverno sem ter que semear).
Preparar um azeite com ervas e alho.




Tudo ao som da Maria Gadú, e agora Kitaro.
E ao final uma caminhada na represa.
Sem falar que é quase São João, aniversário do meu sobrinho querido, o Enzo.

Obrigado, Senhor!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Família italiana


Tenho postado em minha conta no facebook alguns álbuns de fotos da viagem à Itália. Quem quiser dar uma olhada basta acessar o link ao lado.
É claro que continuo viajando quando organizo as fotos. É tudo tão familiar e presente.
A casa. Ali na Via Montessori, em Asola, posso dizer que tenho minha casa, meu quarto. Ali permanecem alguns pertences de uso pessoal para lembrar que sou parte daquele lugar. Além disso, tem o fogão que piloto com pratos brasileiros ou simplesmente fazendo um café spresso, na original e velha Bialetti. O cheiro do amaciante usado na última lavagem de roupa (a máquina de lavar fica no banheiro - isso é comum por lá). O cheiro inebria a casa inteira, e é sempre o mesmo há anos. A mistura de música brasileira, italiana e outros gêneros, com destaque para o ídolo da Clara, o Bruce Springsteen. O “angolo brasiliano” com vários pedaços do Brasil. Tudo isso me faz sentir em casa.
A cidade. Asola é uma pequena cidade da Lombardia, uma das prósperas regiões do Norte da Itália. Ali é a base do quartel general. Um dos prazeres é entrar nos diversos cafés e pedir um cappuccino, trocando sempre um dedo de prosa com quem está por ali. Ir ao supermercado e fazer compras de coisas corriqueiras do quotidiano.  É uma sensação muito boa de me sentir pelo menos um pouco parte daquela comunidade.
As estradas e vilarejos. Minha família vive em pequenos vilarejos nada longe um do outro. Vias estreitas, sem acostamento, com discretos canais regando a imensa planície. Cada cidade guarda sua história. As feiras livres são um capítulo à parte. Comida, flores, produtos da terra, roupas. Chama atenção o uso frequente de bicicletas. Não apenas para desportistas, mas também idosos, que não dispensam a magrela para se locomover.
A comida. Incrível como na simplicidade a comida do dia a dia se transforma em banquete. Essa história de primeiro prato, segundo prato, e a salada que sempre vem depois me agrada muito. Risotos, massas, carnes, embutidos muitas vezes feitos pelas famílias, queijos (com destaque para o Grana Padano), verdura, azeite, doces... tudo é saboreado com os 5 sentidos.
Os amigos, a família. Esses são o motivo de tudo. Cada vez que reencontro cada um deles dá uma grande alegria. O abraço forte, o beijo, o olhar e os gestos traduzem um amor que foi presente de Deus. Cada um carrega parte dessa bela história de família por adoção.
Clara. Certamente ninguém teria ciúme por dar um destaque especial a ela. É unânime o reconhecimento de que é muito generosa. Sempre se antecipa, tentando acudir as necessidades ou simplesmente criando situações de bem estar e satisfação para quem está a sua volta. É o tipo de pessoa com a qual todos podem contar.
Sempre me vem uma gratidão a Deus por esse presente. E à família pela acolhida de sempre.